“Cyberativismo” campanha SEO e a espiral do silêncio

“Se você é jovem militante petista, seja dirigente ou simpatizante, reserve esta quinta-feira, 10 de abril, para um compromisso importante.”

E assim começa mais uma tática triste que acontece em nosso país. A criação de “militantes” engajados que são responsáveis por difamar e agredir a oposição assim como defender por meio de conflitos e brigas o candidato de sua preferência.

Analisando pela ótica das campanhas isso não tem nada de ilegal, contudo gera uma grande briga com ataques ao invés de serem deflagrados argumentos.

 

partidao

Os amigos do PT e posteriormente PSDB infectaram as redes sociais assim como comentários de grandes jornais e geram uma imensa quantidade de conflitos e conteúdos inúteis e, se quer saber, funciona por causa do SEO (Search Engine Optmization).
Ao relacionarmos os nomes dos candidatos de oposição a certos tipos de palavras, influencia-se os buscadores a associar o nome do candidato a algo ruim.

Se você colocar que “Aécio Neves é corrupto” em muitos canais de destaque (Folha, Estadão, redes sociais…) você estará dizendo aos grandes buscadores de que “Aécio” e “corrupto” são palavras afins, gerando aquele grande problema do Google de autocompletar.

 

Era isso até que Aécio tentou fazer ao entrar com o pedido de proibir associação de palavras nos buscadores estilo Google. Uma manobra burra, porque desconsiderou os engajados de redes sociais que o PT tem. Estes saíram batendo no candidato gerando uma repercussão negativa para Aécio.

 

Além disso, com muitos engajados prontos para criticar qualquer coisa que se fale do candidato, ratifica-se o “Espiral do Silêncio”, teoria que defende a ideia de que as pessoas tendem a se calar quando estão em um ambiente que sua opinião é minoria. Se ao escrever algo contra um candidato, cinco, dez pessoas vierem te criticar a tendência será você não mais publicar algo negativo contra aquele candidato.

E é isso que o PT quer, pessoas que livremente se engajam para proteger o grande partidão vermelho brasileiro e os outros partidos vão na onda do trendsetter tornando nossa política cada vez mais parecida com brigas de vizinho.
 

Confira o chamado na íntegra.

 

PT NAS REDES

Se você é jovem militante petista, seja dirigente ou simpatizante, reserve esta quinta-feira, 10 de abril, para um compromisso importante.

É dia de participar da Oficina de Cyberativismo, no auditório da sede nacional do #PT, em Brasília, no Edifício Tufic (Setor Comercial Sul, quadra 2, Bloco C).

O cyberativismo tem sido alternativa valiosa para contornar a armadilha dos meios de comunicação de massa tradicionais, atrelados ao pensamento único conservador.

É uma ferramenta que faz a diferença no mundo da comunicação nos tempos atuais. É útil para mobilização social, organizar reuniões políticas e culturais e disseminação de mensagens a um número extraordinário de pessoas sem depender dos donos das TVs, rádios e jornais.

O evento destina-se em particular à juventude petista, que vem de uma vitoriosa trajetória de lutas e conquistas e busca novas formas de interação com o segmento jovem da população.

A programação da oficina, que começa às 9h, inclui o funcionamento das redes sociais, melhores práticas de interação, criação e compartilhamento de conteúdo na Internet.

O esforço que a direção do PT faz na busca de fortalecimento e consolidação de políticas para a juventude mira esse caminho.

 

Precisamos aprender a ler. Uma análise da pesquisa sobre a Violência contra Mulher

Sim o corpo é da mulher, mas não adianta o preconceito sair por uma porta e entrar pela outra.

As manifestações em prol do direito da mulher andar nas ruas sem ser assediada é legítimo, contudo não podemos tomar por base as conclusões dos estudos do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, pois este coloca nas ruas que na “visão masculina” as mulheres têm que ser atacadas.

Essa pesquisa evidencia dois defeitos que, na realidade são a mesma coisa, analisando os dados veremos que a baixa renda aliada a pouca educação fomenta os casos de machismo no Brasil. O segundo problema apontado é: Brasileiros não sabem ler pesquisa.

Se nos atentarmos aos dados estatísticos, algo que o próprio IPEA pareceu esquecer (comprovado com essa publicação), veremos que a pesquisa demonstra que as deficiências nos setores de renda e acima de tudo estudantil/cultural é que são as verdadeiras essências do Machismo.

Aliás, não é bem uma pesquisa, mas sim um estudo de comprovação de tese, afinal já começa com esse termo:

“O primeiro grupo de frases ditas a os entrevistados, que foram instruídos a dizer se concordavam ou discordavam, total ou parcialmente, do que era afirmado, dizia respeito ao ordenamento patriarcal e heteronormativo da sociedade.

Por ordenamento patriarcal e heteronormativo da sociedade entende- se uma organização social baseada no poder masculino e na qual a norma é a heterossexualidade. A sociedade se organiza com base na dominação de homens sobre mulheres, que se sujeitam à sua autoridade, vontades e poder. Os homens detêm o poder público e o mando sobre o espaço doméstico, têm controle sobre as mulheres e seus corpos…”

Somente para saberem, confira o perfil dos entrevistados para a pesquisa e reparem que a maior parte dos entrevistados eram mulheres (66,5%) e com educação até o ensino fundamental formando 63,8% daqueles que responderam ao IPEA.

A) Residentes no Sul ou Sudeste: 56,7%
B) Residentes em áreas metropolitanas (metro): 29,1%
C) Pessoas jovens, 16 a 29 anos (jovem):28,5%
D)Pessoas adultas, 30 a 59 anos:52,4%
E)Pessoas idosas, 60 ou mais anos (idoso):19,1%
F)Mulheres (fem):66,5%
G)Brancos (branco):38,7%
H)Católicos (cato):65,7%
I)Evangélicos (evan):24,7%
J)Demais religiões, ateus e sem religião:9,6%
K)Menos que o ensino fundamental:41,5%
L)Ensino fundamental (edufunda):22,3%
M)Ensino médio (edumedia):30,8%
N)Ensino superior (edusuper):5,4%
O)Renda domiciliar per capita média: R$ 531,26

 

O universo amostral deixa bem claro o perfil do povo brasileiro, em sua maioria mulher, de baixa renda e com pouca instrução, só isso já era para ter chamado a atenção da sociedade civil do mau estado em que estamos. E ainda para conversar com esse público foram utilizadas perguntas dúbias que JAMAIS deveriam constar em uma pesquisa.
Exemplos:
“Em briga de marido e mulher não se mete a colher?

Em pesquisa não se faz pergunta com negativa porque gera dois tipos de respostas para dizer a mesma coisa podendo causar dúvida no entrevistado.

Sim, não se mete a colher. Não, não se mete a colher; é a mesma resposta.

Outra pergunta do IPEA

“Roupa suja se lava em casa.
Afirmação genérica que pode levar o entrevistado e relativizar e ser induzido a uma resposta.
Por que? O correto é xingar no Twitter?
O seu filho está indo muito mal na escola, você o levará para a polícia ou discutirá em casa?
Ou ainda
“Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros.
Se “comportar” pode ser usar burca na visão de uns, aprender artes marciais na visão de outros, evitar locais isolados entre outras opiniões pessoais que não são analisadas pelo Instituto e que se encaixam perfeitamente dentro dessa afirmação da pesquisa.

 

O que REALMENTE podemos analisar desses dados que foram obtidos pelo IPEA é que pessoas de mais baixo grau de estudo e de regiões mais pobres tendem a ter opiniões mais assertivas sobre os assuntos que são analisados, ao contrário do que acontece nas regiões sul/sudeste (melhor renda média) e das pessoas mais escolarizadas que tenderam a relativizar mais o conteúdo. Sem contar o viés ideológico daqueles que fizeram a análise.

 

‘casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família’.
As residentes no Sul/Sudeste, em áreas metropolitanas, e com educação superior, apresentaram menor tendência em concordar com essa afirmação.

“‘os homens devem ser a cabeça do lar’.

Em relação a pessoas que não são católicas ou evangélicas, os primeiros têm chance 1,4 vez maior de tender a concordar e os últimos, 2,1 vezes maior. A chance de os homens concordarem total ou parcialmente é 1,7 vez maior do que a das mulheres. E quanto mais elevada é a escolaridade, menor é a tendência a concordar.

Pessoas com educação média ou superior têm menor tendência a concordar com a afirmação de que ‘uma mulher só se sente realizada quando tem filhos’, bem como as residentes no Sul/Sudeste.”

 

Segue ainda

discordar estupro casamento

 

Mesmo tendo 65,3% das pessoas contra esse tipo de abuso, a pesquisa continua no tom de opressão: “Entre as características que aumentam a concordância parcial ou total com a noção de que a mulher deve, literalmente, servir sexualmente o marido, independentemente de sua vontade, está a religião.”

E olha só o que conclui

“Quanto maior o nível educacional, porém, menor é a tendência a concordar.”

 

Além dessas questões fica evidente a posição dos realizadores da pesquisa a sua visão de que a mulher somente pode alcançar a sua plenitude longe de um homem.

“Bastante alta também é a parcela da população que acredita que ‘toda mulher sonha em se casar’. Mais da metade dos entrevistados concordou totalmente com esta frase. Somados aos que concordam em parte, tem-se que quase 79% da população.

Possui noção bastante estereotipada sobre os desejos e ideais de vida das mulheres. Acreditar que toda mulher tem como projeto de vida casar-se e constituir uma família é compatível com a ideia de que a mulher somente pode encontrar a plenitude numa relação estável com um homem, ou, ainda, de que depende de um companheiro que a sustente e, finalmente, de que é mais recatada e possui menos desejos sexuais, não almejando, portanto, uma vida de solteira ou de muitos parceiros.”

Desculpe-me, mas de que parte dos dados o IPEA tirou “de que é mais recatada e possui menos desejos sexuais, não almejando, portanto, uma vida de solteira ou de muitos parceiros”? Isso é indução, não é analise de dados.

É certo que o “sonho” de se casar faz parte de um anseio cultural muito forte ainda mais em países latinos e que tem sim a ver com a ideia do “macho provedor” ligado ao preconceito. Mas aferir tudo isso por meio de uma pergunta de que é um “sonho”?
Pode não ser o desejo do entrevistado e da forma como a afirmação é feita dá-se a impressão à pessoa que é o que ela vê na sociedade, não que seja o sonho dela. Enfim, um resposta baseada em impressões, e não, em assertividade.

 

“’uma mulher só se sente realizada quando tem filhos’”, a conclusão dos pesquisadores do IPEA foi:

“Quase 60% dos respondentes disseram concordar total ou parcialmente com essa afirmação.”

E continuam…

“O modelo patriarcal de família, além de pressupor a supremacia masculina, centra-se num arranjo familiar composto por homem, mulher e seus filhos. O modelo é androcêntrico e heteronormativo: coloca o homem e o masculino como referência em todos os espaços sociais.

 

Toda essa reflexão foi tirada do fato de 60% dos entrevistados acreditarem que a mulher se realiza ao ter um filho. Não necessariamente a pessoa, mas sim a impressão dela sobre o fato.

 

E não nos esqueçamos do fatídico

Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas?

 

 

 

atacadas

Esse é o quadro que mais preocupa, ainda mais quando vemos que são as mulheres de mais baixa-renda, aquelas que utilizam o transporte público são as que mais corroboram com essa visão (65% dos entrevistados mulheres, renda per capita media de menos de um salário mínimo). Isso sim podemos colocar como um verdadeiro reflexo do machismo cultural que está entorno dos homens e mulheres desse país. O fato delas concordarem com essa afirmação pode muito bem derivar do próprio mecanismo de defesa de não serem abusadas dentro das situações cotidianas que estão envolvidas.
Mas novamente temos um adendo nessa parte da pesquisa.

Residentes no Sul/Sudeste, jovens e pessoas com educação média e superior, porém, apresentavam menores chances de concordar com isso.

 

Lembrando que defendo as manifestações da sociedade em prol da liberdade de todos, embora tenhamos que tomar muito cuidado com essas pesquisas porque pode gerar uma conclusão que não é a verdadeira.
A forma como foi redigida e publicada a pesquisa deixa a entender que os homens acreditam que as mulheres devem ser estupradas, como se os homens fossem a única mola motriz desse tipo de cultura, porém quando colocamos essa situação à luz dos dados apresentados pela própria pesquisa vê-se que isso está arraigado em nossa cultura devido à falta de Educação e de melhores condições de vida e não simplesmente por ser “homem”.
Uma pesquisa, que supostamente se baseia em estatística, não pode lançar juízo de valor como foi feito.

Mas o IPEA fez algo bom, trouxe a questão do estupro tanto o velado por verbalizações ou toques quanto o que envolve sexo. Aliás algo que já vinha sido tratado brilhantemente pela própria sociedade civil, no caso dos encoxadores por meio do Youpix no dia 13/03, desse dia em diante começou a caçada à esses criminosos.

Veja como o pico de busca encontra-se após publicações do Youpix.
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Homem é preso suspeito de “encoxar” e de tentar tirar calça de passageira em trem lotado da CPTM – 17/03

Homem é preso por estupro na estação Luz – 18/03

Mais dois são presos por abuso contra mulheres na Estação Sé do Metrô – 19/03

Após ‘onda’ de vídeos de abuso em trens, polícia prende 17 suspeitos. – 20/03

22 pessoas são autuadas por abusos nos vagões –  21/03

 

 

E para quem quiser mais dados sobre o acontece, verifique os dados do próprio IPEA sobre a situação atual dos estupros no Brasil, sim é assustador, porém temos que conferir afinal mais de 70% acontece com crianças.

 

ATUALIZAÇÃO

Como dito, o próprio pessoal do IPEA não sabe ler pesquisa e não tão incompetentes que erraram na afirmação mais importante da pesquisa.

Segundo o IPEA, uma troca nos gráficos gerou o pensamento errôneo.
Segue os dados reais: 26% concordam total ou parcialmente com a afirmação “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas; 70%% discordam total ou parcialmente.

 

O jeitinho brasileiro

Conversando com um amigo meu Allan Farina, jornalista do Terra, ele me passou um vídeo interessante que vale a pena ser visto falando sobre o “Jeitinho Brasileiro”.

O vídeo mais do que comprova que a corrupção é algo inerente ao ser humano, o vídeo não direi que defende, mas minimiza a questão o jeitinho brasileiro.

Já eu vejo pelo outro ponto, de que essa maneira nossa de ver a vida reforça nossa maneira de ver a corrupção.

Veja o vídeo e me diga qual a sua opinião.

 

Scup lança livro para Campanhas Políticas

scupO Scup, uma ferramenta de monitoramento de dados nas redes sociais acabou de divulgar seu mais novo livro voltado para campanhas eleitorais.

Já trabalhei com campanha política na internet e digo que o sistema está bem amador, porque cá entre nós, ter um bando de gente contratada para falar bem de você e mal do adversário passa longe de profissionalismo.

O livro foi escrito por Ricardo Azarite é jornalista formado pela USP e atualmente trabalha na Kekanto.

Brasileiros em idade eleitoral queusam a internet dedicam a maior parte do seu tempo on-line às redes sociais.
Ora, também não se pode julgar que, por ser um canal de bastante atividade, este seja o ambiente ideal de mídia e divulgação. E daí surge o questionamento:
o usuário de internet do Brasil tem o costume de se relacionar com a política em ambientes virtuais?
No que diz respeito aos riscos de uma possível condenação às infrações eleitorais, há impedimentos para novas candidaturas futuras (resultado da Lei Ficha Limpa), além de multas que podem chegar a R$30mil para o candidato e até a R$100mil para o responsável pela mídia onde foi veiculada a infração (ainda não há nenhuma jurisprudência explícita sobre esse caso de infração em mídias sociais).

Pequenas Corrupções. Diga não!

Nós brasileiros infelizmente somos um povo corrupto por natureza.
Temos o hábito de criticar a corrupção alheia e de elogiar as nossas próprias falhas, imagine se seu vizinho subornasse alguém para conseguir um ponto de TV a cabo? Bandido, fdp eu pago minhas contas e esse cara me faz uma pilantragem dessas.
Agora se você faz isso se vê como um grande esperto.

Diga Não!
A campanha da Controladoria Geral da União vem de encontro a essa “verdade” tupiniquim e levanta uma ótima bandeira, aquela que eleva a pequena corrupção ao patamar da grande.

Nós precisamos ter em mente que a retidão política surge do cidadão e a partir daí atingirá o Estado.
Enfim, a campanha do CGU já conseguiu mais de 118 mil compartilhamentos espero que isso seja um sinal, um bom sinal, e não de que nós brasileiros continuamos hipócritas criticando o outro e aprontando a das nossas.