O “Efeito Sheherazade”, parabéns você foi manipulado

Nós brasileiros adoramos um culpado, menos a nós mesmos. Falar que a Sheherazade é a culpada pelos linchamentos que estão acontecendo, não passa de censura sobre alguém que tem uma opinião diferente e, cá entre nós, um linchamento moral sobre a jornalista.

Utilizando o Google Trends, que mostra as tendências de buscas, percebemos que os casos de linchamento noticiados permanecem relativamente constantes desde 2009 até abril de 2014. Há um aumento em maio, devido ao caso do linchamento da mulher acusada injustamente.

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O crescimento do número de buscas se dá não pelo alto índice de linchamentos, já que se trata do mesmo episódio, mas sim pela evidência que se deu ao fato justamente por causa dos comentários de Sheherazade, ou seja, ela não é a causadora do ocorrido em si, mas ficamos sabendo do linchamento com a comoção que teve por Sheherazade ter feito seu mítico comentário no jornal.

Colocar a culpa em uma evidência, ou em um fato, é jogar no lixo todo o estudo da Criminologia que isenta até mesmo o infrator como elemento único do delito.
Para a Criminologia moderna o delinquente é fruto de fatores psico-bio-sociais que atuam de diferentes maneiras sobre ele.
Focando no caso em questão. Colocar a culpa no “Efeito Sheherazade” pelo acontecimento é despejar toda a delinquência sobre os ombros de um dos fatores sociais, afinal, temos a localidade, as amizades, a cultura local dentre outros inúmeros componentes sociais.

E mesmo que ali fosse (e na realidade é) um local de pessoas que sofrem por falta de saneamento, falta de escolas, falta de presença Estatal, ausência de segurança e composto por famílias desestruturadas ainda assim teriam outros fatores que seriam determinantes para realizarem ou não o fato.

Porém é claro que toda a culpa é da Sheherazade. Adoramos procurar um culpado assim como fizeram com a mulher, afinal alguém tem sempre que pagar.

No jornalismo há uma teoria chamada de Agenda Setting. A teoria basicamente fala que o público vai discutir e vai considerar algum assunto relevante de acordo com aquilo que a mídia disser que é relevante. Lembre-se, enquanto você está lendo a sua timeline no Facebook, você está dentro de uma mídia.

 

“(…)em consequência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público sabe ou ignora, presta atenção ou descura, realça ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que o mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo. Além disso, o público tende aquilo que esse conteúdo inclui uma importância que reflete de perto a ênfase atribuída pelos mass media aos acontecimentos, aos problemas, às pessoas.”
Donald Shaw , 1979 (In: WOLG , 1994)

Traduzindo essa brincadeira toda, você coloca a culpa em alguém porque a mídia o disse para fazer isso, tanto no caso de quem acusa Sheherazade assim como daqueles que mataram a mulher movidos por uma página de rede social.
Então parem um instante para pensar antes de sair apontando o dedo para alguém.

Lembrando que Sheherazade é conservadora, algo diametralmente longe daquilo que defendo, contudo não colocarei a culpa exceto naquilo que ela fere as leis, ela tem o direito de livre manifesto de sua opinião e assim o deve continuar.

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“Cyberativismo” campanha SEO e a espiral do silêncio

“Se você é jovem militante petista, seja dirigente ou simpatizante, reserve esta quinta-feira, 10 de abril, para um compromisso importante.”

E assim começa mais uma tática triste que acontece em nosso país. A criação de “militantes” engajados que são responsáveis por difamar e agredir a oposição assim como defender por meio de conflitos e brigas o candidato de sua preferência.

Analisando pela ótica das campanhas isso não tem nada de ilegal, contudo gera uma grande briga com ataques ao invés de serem deflagrados argumentos.

 

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Os amigos do PT e posteriormente PSDB infectaram as redes sociais assim como comentários de grandes jornais e geram uma imensa quantidade de conflitos e conteúdos inúteis e, se quer saber, funciona por causa do SEO (Search Engine Optmization).
Ao relacionarmos os nomes dos candidatos de oposição a certos tipos de palavras, influencia-se os buscadores a associar o nome do candidato a algo ruim.

Se você colocar que “Aécio Neves é corrupto” em muitos canais de destaque (Folha, Estadão, redes sociais…) você estará dizendo aos grandes buscadores de que “Aécio” e “corrupto” são palavras afins, gerando aquele grande problema do Google de autocompletar.

 

Era isso até que Aécio tentou fazer ao entrar com o pedido de proibir associação de palavras nos buscadores estilo Google. Uma manobra burra, porque desconsiderou os engajados de redes sociais que o PT tem. Estes saíram batendo no candidato gerando uma repercussão negativa para Aécio.

 

Além disso, com muitos engajados prontos para criticar qualquer coisa que se fale do candidato, ratifica-se o “Espiral do Silêncio”, teoria que defende a ideia de que as pessoas tendem a se calar quando estão em um ambiente que sua opinião é minoria. Se ao escrever algo contra um candidato, cinco, dez pessoas vierem te criticar a tendência será você não mais publicar algo negativo contra aquele candidato.

E é isso que o PT quer, pessoas que livremente se engajam para proteger o grande partidão vermelho brasileiro e os outros partidos vão na onda do trendsetter tornando nossa política cada vez mais parecida com brigas de vizinho.
 

Confira o chamado na íntegra.

 

PT NAS REDES

Se você é jovem militante petista, seja dirigente ou simpatizante, reserve esta quinta-feira, 10 de abril, para um compromisso importante.

É dia de participar da Oficina de Cyberativismo, no auditório da sede nacional do #PT, em Brasília, no Edifício Tufic (Setor Comercial Sul, quadra 2, Bloco C).

O cyberativismo tem sido alternativa valiosa para contornar a armadilha dos meios de comunicação de massa tradicionais, atrelados ao pensamento único conservador.

É uma ferramenta que faz a diferença no mundo da comunicação nos tempos atuais. É útil para mobilização social, organizar reuniões políticas e culturais e disseminação de mensagens a um número extraordinário de pessoas sem depender dos donos das TVs, rádios e jornais.

O evento destina-se em particular à juventude petista, que vem de uma vitoriosa trajetória de lutas e conquistas e busca novas formas de interação com o segmento jovem da população.

A programação da oficina, que começa às 9h, inclui o funcionamento das redes sociais, melhores práticas de interação, criação e compartilhamento de conteúdo na Internet.

O esforço que a direção do PT faz na busca de fortalecimento e consolidação de políticas para a juventude mira esse caminho.