Uma visão chata do jornalismo

2012-04-05 13.12.02

O jornalismo nasce como uma profissão marginal. O trabalho de letrados, muitos escritores que tinham como única alternativa de trabalho escrever para jornais e revistas para sustentar seus vícios.

O jornalista era o “olhar dos de fora” dentro do mundo daqueles que faziam a roda girar. Um chato, um malandro no modo “zé pelintrisco” do termo, que incomodava com suas perguntas que tinham por trás até mesmo um “q” de recalque.

Hoje em dia é um profissão de elites, não que haja algo completamente errado com isso, contudo  muda completamente o viés da comunicação.

Ao entrar na Cásper tive como companheiros de estudo a classe média alta paulistana e a classe média do interior do estado o que tornou tudo muito homogêneo.

Pessoas iguais pensando de maneira parecida com apenas algumas arestas de diferença e isso reflete no jornalismo que vemos sendo feito hoje.

O filtro de notícias passa pelo olhar do profissional da comunicação, quem determina o que é fato relevante ou não é ele, com pessoas que possuem as mesmas referências culturais o filtro se torna “standart” e temos como consequência a chatice e mesmice como resultado nas grandes mídias.

A profissão perdeu se caráter de chata, para se tornar glamourosa e, como tudo que vende fama, tornou-se escrava da sua própria vontade de se vender assim.

Redações sem conflitos ideológicos, culturais e de experiências de vida perdem a vida, perdem o movimento e esvanece seu sentido de ser.

Soma-se a isso a impossibilidade do novo jornalista de pensar, afinal, sua bunda está quadrada na cadeira e a apuração mais profunda é a validação da Reuters porque se ele não subir o “furo” no portal rapidamente a página perderá os “views”.

Poucos profissionais na redação e que são obrigados a realizarem serviços de curadoria em setores que nem há um grande conhecimento , o culto ao “amador” incentivado pelas próprias entidades da imprensa, e a necessidade de não ficar para trás, ao invés de gerar conteúdo relevante.

Tudo isso tem seu lado bom, afinal, somente os loucos e cheios de “vícios” é que se sujeitarão a esse tipo de trabalho gerando novamente o conflito do saber dentro da profissão. De repente, o fundo do poço do jornalismo será a salvação.