Pastor Everaldo e o Liberalismo. Uma análise de suas propostas e o pensamento libertário

E lá vamos nós falar de Pastor Everaldo, a essa altura não é um candidato elegível para a presidência da República, apesar disso cumpriu bem seu papel evidenciando o PSC e garantindo mais uns votos para a legenda. Aliás aqui entre nós, você acha mesmo que todos os candidatos buscam a presidência? Bem, a resposta para isso ficará para outro dia.

A grande tese de Everaldo não é levantar a bandeira evangélica, mas sim, do “liberalismo” e da privatização.

Nos últimos anos assistimos ao crescimento dessa ideologia no Brasil sobretudo com a diminuição da militância de partidos de esquerda nas ruas e redes sociais, fruto da mudança de partidos tradicionais de “massa” para um caminho mais de “quadro”*. Com mais liberdade para professarem, os liberais estão ressurgindo como uma real terceira força na divisão política entre esquerda e direita que perdura desde a época de Revolução Francesa. O liberal não é uma via de direita (que engloba pensamentos conservadores) e isso está começando a ficar claro para algumas parcelas da população, dessa maneira é de se esperar o surgimento de um suposto candidato “liberal” para angariar esse tipo de voto.

Não entrarei no aspecto do que é ser liberal aqui nessa publicação, embora fique mais do que evidenciado nos pontos que colocarei aqui.

Pastor Everaldo buscou assumir essa bandeira batendo na tecla mais conhecida do pensamento liberalista que são as privatizações, contudo isto é um aspecto que não necessariamente tem a ver com pensamento libertário. Aliás, agradeço a publicação do texto no Spotnicks, de Joel Pinheiros que me ajudou muito nas argumentações.

As propostas de Governo passam pela defesa da privatização de empresas como a Petrobrás, assim como dos Portos e Aeroportos do país. Também relata a diminuição de tributos sobre as pequenas médias empresa assim como a “livre concorrência” no setor da saúde.

“Reafirmo o meu compromisso com a vida do ser humano desde a sua concepção. Sou contra o aborto, sem necessidade de plebiscito.
Sou contra a legalização das drogas.
Sou a favor da família como está na Constituição brasileira.
Sou a favor do livre mercado e da livre concorrência.
Sou a favor da liberdade e da meritocracia.
Sou a favor da liberdade de imprensa, sem marco regulatório.
Deus abençoe você, sua família e o nosso querido Brasil.”

Comecemos pelo ponto de vista econômico que é o mais próximo do Liberalismo lembrando que as propostas de governo são genéricas, como a de todo candidato, uma estratégia para evitar contradições.

Um pensamento simplista é acreditar que a privatização é a solução do problema da ineficiência e ingerência do Estado brasileiro. Para exemplificar peguemos o caso da Petrobrás.

É ingênuo acreditar que privatizá-la irá resolver os problemas de déficit da empresa, assim como reduzirá o valor dos combustíveis e também tornará mais efetivo o uso do Pré-Sal.

A Petrobrás simplesmente é dona do mercado, sendo que não há uma gota de combustível comprado em território brasileiro que não tenha alguma relação em a “semi-estatal”, simplesmente privatizá-la é passar para à mão da iniciativa privada um monopólio tornando assim desigual qualquer tipo de concorrência. Isso não é bom para o país, ao contrário pois da maneira como está apenas teríamos aumento nos preços do combustível sem ter um retorno visível para o mercado.

O ideal é abrir a concorrência não só para exploração de petróleo, mas também na obtenção e distribuição do produto final, com isso reduzimos nossa dependência da Estatal e provocamos a guerra dos preços e da eficiência entre as empresas do ramo. A Petrobrás até poderia existir como uma empresa estatal subsidiada, contudo sem ter o peso no mercado o qual possui nos dias de hoje.

Acho que ficou claro que privatização é diferente de Livre Mercado porém concordo com ele quando diz que o Estado brasileiro não tem que ser sócio de mais de 60 empresas via BNDES, como ele relatado na sabatina do Estadão.

 

Também é a favor da privatização da saúde, nesse quesito eu discordo por acreditar que a função pública é deter a violência; cuidar da saúde e da educação permitindo assim a mesma “base” para os indivíduos partirem para a livre concorrência.

Privatizar os exames laboratoriais não reduzirá tanto os custos do Governo, já que a população carente não terá acesso a esses recursos, que não por via Estatal.

Ao invés de livrar o setor público como player, talvez fosse melhor reduzir as taxas sobre esses tipos de exame assim como trabalhar com incentivos fiscais para profissionais da saúde que fizerem ações sociais.

Além disso, reduzir a carga tributária e aplicar a lei sobre planos de saúde. Uma saúde mais barata e mais eficiente retirará as pessoas de classe média do SUS assim possibilitará aos mais pobres ter acesso a essa modalidade. Porque, cá entre nós, vários planos de saúde jogam tudo para cima do SUS.

Apesar dessas divergências podemos colocar sim as propostas para saúde como Liberais, algo que flerta com o Anarco-Liberalismo.

 

O pensamento Libertário apesar de ser bombardeado com a famosa premissa do livre mercado, não é apenas economia, há as ideias sociais e individuais e nisso Pastor Everaldo passa longe do que seria liberal.

Para o pensamento Libertário, em 90% de suas vertentes, a livre iniciativa e o direito da pessoa de decidir aquilo que é melhor para ela é praticamente inalienável.

As agremiações sociais são incentivadas, afinal pequenos grupos que se unem por vontade para defenderem seus interesses, algo muito diferente do sindicatos de hoje que dependem de acordos com o próprio Estado para sobreviverem.

Sem mais enrolações, um Libertário acredita que questões como a aborto, drogas e casamento homoafetivo está no âmbito das escolhas individuais não sendo dever do Estado legislar sobre esse tipo de matéria, mas sim, de garantir que os direitos individuais de todos os cidadãos sejam defendidos, logo o candidato a presidência deveria ser “a favor” dessas questões mesmo que seu pensamento individual não o fosse.

Para saber mais sobre o Pastor Everaldo confira em

Pastor Everaldo Pereira do PSC um liberal? Menos… menos…

* Partidos de massa são caracterizados por um grande poder central, são hierarquizados e os pensamento da cúpula do partido são a regra, quem vota contra, é expulso. Contam com um grande poder de militantes que vão a ruas e fazem a patrulha ideológica. Exemplos: PSTU, PCO e PSOL.

Partidos de quadro possui um fraco poder central e seus partidários decidem de acordo com seus votantes, não apresentam um forte líder único e, devido sua descentralização, não contam com militantes pois não há bem um ideal a ser protegido, embora em sua eleições possuam vultosas quantias monetárias de pouca empresas. Exemplo: PSDB, PV e PSB.
O PT é um partido de massa que flerta com o quadro, quanto menos o Lula interfere mais de quadro o PT se assemelha.

O “Efeito Sheherazade”, parabéns você foi manipulado

Nós brasileiros adoramos um culpado, menos a nós mesmos. Falar que a Sheherazade é a culpada pelos linchamentos que estão acontecendo, não passa de censura sobre alguém que tem uma opinião diferente e, cá entre nós, um linchamento moral sobre a jornalista.

Utilizando o Google Trends, que mostra as tendências de buscas, percebemos que os casos de linchamento noticiados permanecem relativamente constantes desde 2009 até abril de 2014. Há um aumento em maio, devido ao caso do linchamento da mulher acusada injustamente.

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O crescimento do número de buscas se dá não pelo alto índice de linchamentos, já que se trata do mesmo episódio, mas sim pela evidência que se deu ao fato justamente por causa dos comentários de Sheherazade, ou seja, ela não é a causadora do ocorrido em si, mas ficamos sabendo do linchamento com a comoção que teve por Sheherazade ter feito seu mítico comentário no jornal.

Colocar a culpa em uma evidência, ou em um fato, é jogar no lixo todo o estudo da Criminologia que isenta até mesmo o infrator como elemento único do delito.
Para a Criminologia moderna o delinquente é fruto de fatores psico-bio-sociais que atuam de diferentes maneiras sobre ele.
Focando no caso em questão. Colocar a culpa no “Efeito Sheherazade” pelo acontecimento é despejar toda a delinquência sobre os ombros de um dos fatores sociais, afinal, temos a localidade, as amizades, a cultura local dentre outros inúmeros componentes sociais.

E mesmo que ali fosse (e na realidade é) um local de pessoas que sofrem por falta de saneamento, falta de escolas, falta de presença Estatal, ausência de segurança e composto por famílias desestruturadas ainda assim teriam outros fatores que seriam determinantes para realizarem ou não o fato.

Porém é claro que toda a culpa é da Sheherazade. Adoramos procurar um culpado assim como fizeram com a mulher, afinal alguém tem sempre que pagar.

No jornalismo há uma teoria chamada de Agenda Setting. A teoria basicamente fala que o público vai discutir e vai considerar algum assunto relevante de acordo com aquilo que a mídia disser que é relevante. Lembre-se, enquanto você está lendo a sua timeline no Facebook, você está dentro de uma mídia.

 

“(…)em consequência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público sabe ou ignora, presta atenção ou descura, realça ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que o mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo. Além disso, o público tende aquilo que esse conteúdo inclui uma importância que reflete de perto a ênfase atribuída pelos mass media aos acontecimentos, aos problemas, às pessoas.”
Donald Shaw , 1979 (In: WOLG , 1994)

Traduzindo essa brincadeira toda, você coloca a culpa em alguém porque a mídia o disse para fazer isso, tanto no caso de quem acusa Sheherazade assim como daqueles que mataram a mulher movidos por uma página de rede social.
Então parem um instante para pensar antes de sair apontando o dedo para alguém.

Lembrando que Sheherazade é conservadora, algo diametralmente longe daquilo que defendo, contudo não colocarei a culpa exceto naquilo que ela fere as leis, ela tem o direito de livre manifesto de sua opinião e assim o deve continuar.

“Cyberativismo” campanha SEO e a espiral do silêncio

“Se você é jovem militante petista, seja dirigente ou simpatizante, reserve esta quinta-feira, 10 de abril, para um compromisso importante.”

E assim começa mais uma tática triste que acontece em nosso país. A criação de “militantes” engajados que são responsáveis por difamar e agredir a oposição assim como defender por meio de conflitos e brigas o candidato de sua preferência.

Analisando pela ótica das campanhas isso não tem nada de ilegal, contudo gera uma grande briga com ataques ao invés de serem deflagrados argumentos.

 

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Os amigos do PT e posteriormente PSDB infectaram as redes sociais assim como comentários de grandes jornais e geram uma imensa quantidade de conflitos e conteúdos inúteis e, se quer saber, funciona por causa do SEO (Search Engine Optmization).
Ao relacionarmos os nomes dos candidatos de oposição a certos tipos de palavras, influencia-se os buscadores a associar o nome do candidato a algo ruim.

Se você colocar que “Aécio Neves é corrupto” em muitos canais de destaque (Folha, Estadão, redes sociais…) você estará dizendo aos grandes buscadores de que “Aécio” e “corrupto” são palavras afins, gerando aquele grande problema do Google de autocompletar.

 

Era isso até que Aécio tentou fazer ao entrar com o pedido de proibir associação de palavras nos buscadores estilo Google. Uma manobra burra, porque desconsiderou os engajados de redes sociais que o PT tem. Estes saíram batendo no candidato gerando uma repercussão negativa para Aécio.

 

Além disso, com muitos engajados prontos para criticar qualquer coisa que se fale do candidato, ratifica-se o “Espiral do Silêncio”, teoria que defende a ideia de que as pessoas tendem a se calar quando estão em um ambiente que sua opinião é minoria. Se ao escrever algo contra um candidato, cinco, dez pessoas vierem te criticar a tendência será você não mais publicar algo negativo contra aquele candidato.

E é isso que o PT quer, pessoas que livremente se engajam para proteger o grande partidão vermelho brasileiro e os outros partidos vão na onda do trendsetter tornando nossa política cada vez mais parecida com brigas de vizinho.
 

Confira o chamado na íntegra.

 

PT NAS REDES

Se você é jovem militante petista, seja dirigente ou simpatizante, reserve esta quinta-feira, 10 de abril, para um compromisso importante.

É dia de participar da Oficina de Cyberativismo, no auditório da sede nacional do #PT, em Brasília, no Edifício Tufic (Setor Comercial Sul, quadra 2, Bloco C).

O cyberativismo tem sido alternativa valiosa para contornar a armadilha dos meios de comunicação de massa tradicionais, atrelados ao pensamento único conservador.

É uma ferramenta que faz a diferença no mundo da comunicação nos tempos atuais. É útil para mobilização social, organizar reuniões políticas e culturais e disseminação de mensagens a um número extraordinário de pessoas sem depender dos donos das TVs, rádios e jornais.

O evento destina-se em particular à juventude petista, que vem de uma vitoriosa trajetória de lutas e conquistas e busca novas formas de interação com o segmento jovem da população.

A programação da oficina, que começa às 9h, inclui o funcionamento das redes sociais, melhores práticas de interação, criação e compartilhamento de conteúdo na Internet.

O esforço que a direção do PT faz na busca de fortalecimento e consolidação de políticas para a juventude mira esse caminho.

 

Campanha do TSE e a farsa conscientização do eleitor

Era uma terra muito engraçada Não tinha teto só tinha palhaço…

O Brasil é um país em que o partidarismo rompe qualquer barreira da palhaçada, fazem as coisas na nossa cara, pois sabem que logo logo esqueceremos.

O que é essa campanha do Tribunal Superior Eleitoral? Lançada no ar em 19 de março o comercial preza para que as mulheres votem em pessoas do sexo feminino.

Utilizando dados reais a propaganda manipula as mulheres com a frase “Até quando eles continuarão falando por nós?”

Esse ano teremos eleição para a presidente sendo a grande mulher presidenciável a nossa queridíssima Dilma Rousseff que, aliás já está no poder.

 

Com menos de uma semana após a campanha ir para a TV vemos um estudo do IPEA, feita entre maio e junho de 2013, sendo lançada estrategicamente agora, mesmo período da campanha do TSE, que coloca o homem brasileiro como um ser abusador, tese que rebati no texto

Precisamos aprender a ler. Uma análise da pesquisa sobre a Violência contra Mulher

Nenhum candidato pode fazer campanha eleitoral nesse período, embora isso não seja um problema para quem está com o Poder nas mãos. Utilizando as verbas publicitárias dos órgãos governamentais consegue-se uma “brecha” para inserir mensagens que favorecem um ou outro candidato, neste caso a Presidenta.
Uma campanha de conscientização do eleitor deveria incentivar a maior participação das mulheres na vida política brasileira, contudo o que o comercial do TSE está fazendo é dizendo que se DEVE votar em mulher, isso transforma as eleições em briga de gênero sem contar que está direcionando o eleitor em seu voto que, no caso, cai muito bem para Dilma.

Concordo que a representação das mulheres está muito aquém do que deveria ser. Nas eleições de 2012 foi o recorde de pessoas do sexo feminino eleitas em nosso país com 7.648 candidatas eleitas um total de 13,3% dos cargos, considerando que são a maioria da população isso está completamente desproporcional.

Porém é profundamente inoportuna e partidária a publicação de um comercial como este do STE em que induz a votação dessa forma e se considerarmos a nova propaganda (ainda não achei na internet) em que fala “Esqueça o passado e vem pra urna” vemos que o Supremo está fazendo um desserviço ao público brasileiro. Vamos esquecer Mensalão, vamos esquecer taxa SELIC, vamos esquecer as metas de inflação que não batemos nenhuma, vamos esquecer a Petrobrás e vem pra urna.

Vale lembrar também que no Governo Dilma as mulheres são peças centrais estando como Chefe-Civil, presidência da Petrobrás, Secretaria dos Direitos Humanos e assim por diante.

Precisamos aprender a ler. Uma análise da pesquisa sobre a Violência contra Mulher

Sim o corpo é da mulher, mas não adianta o preconceito sair por uma porta e entrar pela outra.

As manifestações em prol do direito da mulher andar nas ruas sem ser assediada é legítimo, contudo não podemos tomar por base as conclusões dos estudos do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, pois este coloca nas ruas que na “visão masculina” as mulheres têm que ser atacadas.

Essa pesquisa evidencia dois defeitos que, na realidade são a mesma coisa, analisando os dados veremos que a baixa renda aliada a pouca educação fomenta os casos de machismo no Brasil. O segundo problema apontado é: Brasileiros não sabem ler pesquisa.

Se nos atentarmos aos dados estatísticos, algo que o próprio IPEA pareceu esquecer (comprovado com essa publicação), veremos que a pesquisa demonstra que as deficiências nos setores de renda e acima de tudo estudantil/cultural é que são as verdadeiras essências do Machismo.

Aliás, não é bem uma pesquisa, mas sim um estudo de comprovação de tese, afinal já começa com esse termo:

“O primeiro grupo de frases ditas a os entrevistados, que foram instruídos a dizer se concordavam ou discordavam, total ou parcialmente, do que era afirmado, dizia respeito ao ordenamento patriarcal e heteronormativo da sociedade.

Por ordenamento patriarcal e heteronormativo da sociedade entende- se uma organização social baseada no poder masculino e na qual a norma é a heterossexualidade. A sociedade se organiza com base na dominação de homens sobre mulheres, que se sujeitam à sua autoridade, vontades e poder. Os homens detêm o poder público e o mando sobre o espaço doméstico, têm controle sobre as mulheres e seus corpos…”

Somente para saberem, confira o perfil dos entrevistados para a pesquisa e reparem que a maior parte dos entrevistados eram mulheres (66,5%) e com educação até o ensino fundamental formando 63,8% daqueles que responderam ao IPEA.

A) Residentes no Sul ou Sudeste: 56,7%
B) Residentes em áreas metropolitanas (metro): 29,1%
C) Pessoas jovens, 16 a 29 anos (jovem):28,5%
D)Pessoas adultas, 30 a 59 anos:52,4%
E)Pessoas idosas, 60 ou mais anos (idoso):19,1%
F)Mulheres (fem):66,5%
G)Brancos (branco):38,7%
H)Católicos (cato):65,7%
I)Evangélicos (evan):24,7%
J)Demais religiões, ateus e sem religião:9,6%
K)Menos que o ensino fundamental:41,5%
L)Ensino fundamental (edufunda):22,3%
M)Ensino médio (edumedia):30,8%
N)Ensino superior (edusuper):5,4%
O)Renda domiciliar per capita média: R$ 531,26

 

O universo amostral deixa bem claro o perfil do povo brasileiro, em sua maioria mulher, de baixa renda e com pouca instrução, só isso já era para ter chamado a atenção da sociedade civil do mau estado em que estamos. E ainda para conversar com esse público foram utilizadas perguntas dúbias que JAMAIS deveriam constar em uma pesquisa.
Exemplos:
“Em briga de marido e mulher não se mete a colher?

Em pesquisa não se faz pergunta com negativa porque gera dois tipos de respostas para dizer a mesma coisa podendo causar dúvida no entrevistado.

Sim, não se mete a colher. Não, não se mete a colher; é a mesma resposta.

Outra pergunta do IPEA

“Roupa suja se lava em casa.
Afirmação genérica que pode levar o entrevistado e relativizar e ser induzido a uma resposta.
Por que? O correto é xingar no Twitter?
O seu filho está indo muito mal na escola, você o levará para a polícia ou discutirá em casa?
Ou ainda
“Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros.
Se “comportar” pode ser usar burca na visão de uns, aprender artes marciais na visão de outros, evitar locais isolados entre outras opiniões pessoais que não são analisadas pelo Instituto e que se encaixam perfeitamente dentro dessa afirmação da pesquisa.

 

O que REALMENTE podemos analisar desses dados que foram obtidos pelo IPEA é que pessoas de mais baixo grau de estudo e de regiões mais pobres tendem a ter opiniões mais assertivas sobre os assuntos que são analisados, ao contrário do que acontece nas regiões sul/sudeste (melhor renda média) e das pessoas mais escolarizadas que tenderam a relativizar mais o conteúdo. Sem contar o viés ideológico daqueles que fizeram a análise.

 

‘casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família’.
As residentes no Sul/Sudeste, em áreas metropolitanas, e com educação superior, apresentaram menor tendência em concordar com essa afirmação.

“‘os homens devem ser a cabeça do lar’.

Em relação a pessoas que não são católicas ou evangélicas, os primeiros têm chance 1,4 vez maior de tender a concordar e os últimos, 2,1 vezes maior. A chance de os homens concordarem total ou parcialmente é 1,7 vez maior do que a das mulheres. E quanto mais elevada é a escolaridade, menor é a tendência a concordar.

Pessoas com educação média ou superior têm menor tendência a concordar com a afirmação de que ‘uma mulher só se sente realizada quando tem filhos’, bem como as residentes no Sul/Sudeste.”

 

Segue ainda

discordar estupro casamento

 

Mesmo tendo 65,3% das pessoas contra esse tipo de abuso, a pesquisa continua no tom de opressão: “Entre as características que aumentam a concordância parcial ou total com a noção de que a mulher deve, literalmente, servir sexualmente o marido, independentemente de sua vontade, está a religião.”

E olha só o que conclui

“Quanto maior o nível educacional, porém, menor é a tendência a concordar.”

 

Além dessas questões fica evidente a posição dos realizadores da pesquisa a sua visão de que a mulher somente pode alcançar a sua plenitude longe de um homem.

“Bastante alta também é a parcela da população que acredita que ‘toda mulher sonha em se casar’. Mais da metade dos entrevistados concordou totalmente com esta frase. Somados aos que concordam em parte, tem-se que quase 79% da população.

Possui noção bastante estereotipada sobre os desejos e ideais de vida das mulheres. Acreditar que toda mulher tem como projeto de vida casar-se e constituir uma família é compatível com a ideia de que a mulher somente pode encontrar a plenitude numa relação estável com um homem, ou, ainda, de que depende de um companheiro que a sustente e, finalmente, de que é mais recatada e possui menos desejos sexuais, não almejando, portanto, uma vida de solteira ou de muitos parceiros.”

Desculpe-me, mas de que parte dos dados o IPEA tirou “de que é mais recatada e possui menos desejos sexuais, não almejando, portanto, uma vida de solteira ou de muitos parceiros”? Isso é indução, não é analise de dados.

É certo que o “sonho” de se casar faz parte de um anseio cultural muito forte ainda mais em países latinos e que tem sim a ver com a ideia do “macho provedor” ligado ao preconceito. Mas aferir tudo isso por meio de uma pergunta de que é um “sonho”?
Pode não ser o desejo do entrevistado e da forma como a afirmação é feita dá-se a impressão à pessoa que é o que ela vê na sociedade, não que seja o sonho dela. Enfim, um resposta baseada em impressões, e não, em assertividade.

 

“’uma mulher só se sente realizada quando tem filhos’”, a conclusão dos pesquisadores do IPEA foi:

“Quase 60% dos respondentes disseram concordar total ou parcialmente com essa afirmação.”

E continuam…

“O modelo patriarcal de família, além de pressupor a supremacia masculina, centra-se num arranjo familiar composto por homem, mulher e seus filhos. O modelo é androcêntrico e heteronormativo: coloca o homem e o masculino como referência em todos os espaços sociais.

 

Toda essa reflexão foi tirada do fato de 60% dos entrevistados acreditarem que a mulher se realiza ao ter um filho. Não necessariamente a pessoa, mas sim a impressão dela sobre o fato.

 

E não nos esqueçamos do fatídico

Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas?

 

 

 

atacadas

Esse é o quadro que mais preocupa, ainda mais quando vemos que são as mulheres de mais baixa-renda, aquelas que utilizam o transporte público são as que mais corroboram com essa visão (65% dos entrevistados mulheres, renda per capita media de menos de um salário mínimo). Isso sim podemos colocar como um verdadeiro reflexo do machismo cultural que está entorno dos homens e mulheres desse país. O fato delas concordarem com essa afirmação pode muito bem derivar do próprio mecanismo de defesa de não serem abusadas dentro das situações cotidianas que estão envolvidas.
Mas novamente temos um adendo nessa parte da pesquisa.

Residentes no Sul/Sudeste, jovens e pessoas com educação média e superior, porém, apresentavam menores chances de concordar com isso.

 

Lembrando que defendo as manifestações da sociedade em prol da liberdade de todos, embora tenhamos que tomar muito cuidado com essas pesquisas porque pode gerar uma conclusão que não é a verdadeira.
A forma como foi redigida e publicada a pesquisa deixa a entender que os homens acreditam que as mulheres devem ser estupradas, como se os homens fossem a única mola motriz desse tipo de cultura, porém quando colocamos essa situação à luz dos dados apresentados pela própria pesquisa vê-se que isso está arraigado em nossa cultura devido à falta de Educação e de melhores condições de vida e não simplesmente por ser “homem”.
Uma pesquisa, que supostamente se baseia em estatística, não pode lançar juízo de valor como foi feito.

Mas o IPEA fez algo bom, trouxe a questão do estupro tanto o velado por verbalizações ou toques quanto o que envolve sexo. Aliás algo que já vinha sido tratado brilhantemente pela própria sociedade civil, no caso dos encoxadores por meio do Youpix no dia 13/03, desse dia em diante começou a caçada à esses criminosos.

Veja como o pico de busca encontra-se após publicações do Youpix.
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Homem é preso suspeito de “encoxar” e de tentar tirar calça de passageira em trem lotado da CPTM – 17/03

Homem é preso por estupro na estação Luz – 18/03

Mais dois são presos por abuso contra mulheres na Estação Sé do Metrô – 19/03

Após ‘onda’ de vídeos de abuso em trens, polícia prende 17 suspeitos. – 20/03

22 pessoas são autuadas por abusos nos vagões –  21/03

 

 

E para quem quiser mais dados sobre o acontece, verifique os dados do próprio IPEA sobre a situação atual dos estupros no Brasil, sim é assustador, porém temos que conferir afinal mais de 70% acontece com crianças.

 

ATUALIZAÇÃO

Como dito, o próprio pessoal do IPEA não sabe ler pesquisa e não tão incompetentes que erraram na afirmação mais importante da pesquisa.

Segundo o IPEA, uma troca nos gráficos gerou o pensamento errôneo.
Segue os dados reais: 26% concordam total ou parcialmente com a afirmação “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas; 70%% discordam total ou parcialmente.

 

Pastor Everaldo Pereira do PSC um liberal? Menos… menos…

Aparecendo nas pesquisas eleitorais o Vice-Presidente do PSC, Pastor Everaldo Pereira, torna-se o quarto dos presidenciáveis no gosto da população brasileira com 3% das intenções de voto segundo pesquisa DataFolha entre 19 e 20 de fevereiro de 2014.

 

 

O Pastor se considera um privatista, ou seja, alguém que acredita que o Estado tem a função de mediar, e não, intervir.
Assim como deve gerenciar setores como a Educação se eximindo da responsabilidade de trabalhar como sócio de empresas como o próprio político diz.

Concordo com esses aspectos em gênero número e grau. Quanto mais Estado, mais cabides de emprego e maiores chances de desvio de verba por meio da corrupção.

No segundo trecho da entrevista caímos no famoso “mais do mesmo” falando sobre a reforma tributária que nosso país precisa fazer.

Questão é com uma candidatura chapa pura como a dele irá conseguir realizar esse intento?

Sabendo mais ou menos de política é mais do que claro que se torna inviável a sua ideia.

 
O PSC é um partido aliado ao PT que historicamente luta pela ampliação do Estado em prol, pensando de uma maneira bonita aqui, do bem estar e do fomento de uma sociedade mais justa e igualitária (para Inglês ver). Tradução: A favor do aumento Estatal para poder crescer ainda mais os seus tentáculos.

 
Esse mesmo partido PSC agora lançará um candidato que luta por um ideal Liberal?
Everaldo relata que estava com o PT devido à “governabilidade”, porém muitas vezes votou contra o Governo o que já começa a demonstrar as incoerências do candidato e do Partido.
Sem contar que o PSC no Paraná está ligado a Beto Richa do PSDB, o que levanta novamente a bandeira da “governabilidade”.

Governabilidade para mim lembra PMDB o real Partido do Poder Brasileiro, aquele que não larga cargos públicos nem com ebó e sessão de desencosto. O PSC se apresenta assim: Duvida? Então procure algum princípio que não seja eleição no Estatuto.

 

Um partido com posturas bem incoerentes já em sua governança, afinal quando teve um dos seus na liderança da Comissão dos Direitos Humanos a única coisa que conseguiu fazer foi causar discórdia e jorrar preconceitos. Lembram de um tal de Feliciano? Então, PSC.

 


O Pastor Everaldo Pereira que levanta a bandeira libertária foi um dos coordenadores do Programa de Anthony Garotinho ao Governo do Rio de Janeiro, foi sub-chefe da Casa Civil. Mesmo Garotinho que é acusado de desvio de verba e de distribuir brindes religiosos para camuflar sua campanha de volta ao Governo.

O pensamento Liberal prega a livre iniciativa das pessoas em busca daquilo que elas quiserem e contando com uma influência mínima no Estado, sendo este uma ferramenta que permite uma estrutura mais igual. Saúde, Segurança e Educação.

 

Como um partido ligado a uma causa religiosa poderá defender ideias como a dos liberais?
Afinal já entram no quesito de serem contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, aborto e assim por diante mostrando uma alta influência do pensamento religioso perante ao nosso teórico Estado Laico.
Por fim, para não causar muitas delongas com um “nanico”, salvo engano assinar as legendas das fotos nas redes sociais não seria campanha antecipada?

campanha eleitoral

Enfim, Everaldo, não, você não representa o pensamento liberal ou libertário ou qualquer outro que preza pela liberdade do indivíduo. Alie-se ao Partido que de te der uma mamata de Ministério no segundo turno e fique mais do que feliz.

Fonte causadora do texto: Rodrigo Constantino

 

Uma entrevista não tão promissora sobre a legalização da Maconha.

Confira a entrevista de Cristovam Buarque sobre a legalização da Maconha.
Obviamente que ele utilizou como plataforma política, porém teve pontos que achei interessantes como, por exemplo, ele dizer que ficou sabendo pelos jornais que seria o relator do Projeto.

Outro ponto: Ele se diz neutro, ou seja, não tem opinião formada para a legalização da Maconha, que nunca teve interesse pelo assunto, mas…

Terceiro: Percebe-se que ele é contra pela postura que deixou na entrevista principalmente quando ele fala do Fernando Henrique Cardoso.

Então pergunto à todos que apoiam o projeto. Será que vai???

Assista a entrevista aqui