Pastor Everaldo e o Liberalismo. Uma análise de suas propostas e o pensamento libertário

E lá vamos nós falar de Pastor Everaldo, a essa altura não é um candidato elegível para a presidência da República, apesar disso cumpriu bem seu papel evidenciando o PSC e garantindo mais uns votos para a legenda. Aliás aqui entre nós, você acha mesmo que todos os candidatos buscam a presidência? Bem, a resposta para isso ficará para outro dia.

A grande tese de Everaldo não é levantar a bandeira evangélica, mas sim, do “liberalismo” e da privatização.

Nos últimos anos assistimos ao crescimento dessa ideologia no Brasil sobretudo com a diminuição da militância de partidos de esquerda nas ruas e redes sociais, fruto da mudança de partidos tradicionais de “massa” para um caminho mais de “quadro”*. Com mais liberdade para professarem, os liberais estão ressurgindo como uma real terceira força na divisão política entre esquerda e direita que perdura desde a época de Revolução Francesa. O liberal não é uma via de direita (que engloba pensamentos conservadores) e isso está começando a ficar claro para algumas parcelas da população, dessa maneira é de se esperar o surgimento de um suposto candidato “liberal” para angariar esse tipo de voto.

Não entrarei no aspecto do que é ser liberal aqui nessa publicação, embora fique mais do que evidenciado nos pontos que colocarei aqui.

Pastor Everaldo buscou assumir essa bandeira batendo na tecla mais conhecida do pensamento liberalista que são as privatizações, contudo isto é um aspecto que não necessariamente tem a ver com pensamento libertário. Aliás, agradeço a publicação do texto no Spotnicks, de Joel Pinheiros que me ajudou muito nas argumentações.

As propostas de Governo passam pela defesa da privatização de empresas como a Petrobrás, assim como dos Portos e Aeroportos do país. Também relata a diminuição de tributos sobre as pequenas médias empresa assim como a “livre concorrência” no setor da saúde.

“Reafirmo o meu compromisso com a vida do ser humano desde a sua concepção. Sou contra o aborto, sem necessidade de plebiscito.
Sou contra a legalização das drogas.
Sou a favor da família como está na Constituição brasileira.
Sou a favor do livre mercado e da livre concorrência.
Sou a favor da liberdade e da meritocracia.
Sou a favor da liberdade de imprensa, sem marco regulatório.
Deus abençoe você, sua família e o nosso querido Brasil.”

Comecemos pelo ponto de vista econômico que é o mais próximo do Liberalismo lembrando que as propostas de governo são genéricas, como a de todo candidato, uma estratégia para evitar contradições.

Um pensamento simplista é acreditar que a privatização é a solução do problema da ineficiência e ingerência do Estado brasileiro. Para exemplificar peguemos o caso da Petrobrás.

É ingênuo acreditar que privatizá-la irá resolver os problemas de déficit da empresa, assim como reduzirá o valor dos combustíveis e também tornará mais efetivo o uso do Pré-Sal.

A Petrobrás simplesmente é dona do mercado, sendo que não há uma gota de combustível comprado em território brasileiro que não tenha alguma relação em a “semi-estatal”, simplesmente privatizá-la é passar para à mão da iniciativa privada um monopólio tornando assim desigual qualquer tipo de concorrência. Isso não é bom para o país, ao contrário pois da maneira como está apenas teríamos aumento nos preços do combustível sem ter um retorno visível para o mercado.

O ideal é abrir a concorrência não só para exploração de petróleo, mas também na obtenção e distribuição do produto final, com isso reduzimos nossa dependência da Estatal e provocamos a guerra dos preços e da eficiência entre as empresas do ramo. A Petrobrás até poderia existir como uma empresa estatal subsidiada, contudo sem ter o peso no mercado o qual possui nos dias de hoje.

Acho que ficou claro que privatização é diferente de Livre Mercado porém concordo com ele quando diz que o Estado brasileiro não tem que ser sócio de mais de 60 empresas via BNDES, como ele relatado na sabatina do Estadão.

 

Também é a favor da privatização da saúde, nesse quesito eu discordo por acreditar que a função pública é deter a violência; cuidar da saúde e da educação permitindo assim a mesma “base” para os indivíduos partirem para a livre concorrência.

Privatizar os exames laboratoriais não reduzirá tanto os custos do Governo, já que a população carente não terá acesso a esses recursos, que não por via Estatal.

Ao invés de livrar o setor público como player, talvez fosse melhor reduzir as taxas sobre esses tipos de exame assim como trabalhar com incentivos fiscais para profissionais da saúde que fizerem ações sociais.

Além disso, reduzir a carga tributária e aplicar a lei sobre planos de saúde. Uma saúde mais barata e mais eficiente retirará as pessoas de classe média do SUS assim possibilitará aos mais pobres ter acesso a essa modalidade. Porque, cá entre nós, vários planos de saúde jogam tudo para cima do SUS.

Apesar dessas divergências podemos colocar sim as propostas para saúde como Liberais, algo que flerta com o Anarco-Liberalismo.

 

O pensamento Libertário apesar de ser bombardeado com a famosa premissa do livre mercado, não é apenas economia, há as ideias sociais e individuais e nisso Pastor Everaldo passa longe do que seria liberal.

Para o pensamento Libertário, em 90% de suas vertentes, a livre iniciativa e o direito da pessoa de decidir aquilo que é melhor para ela é praticamente inalienável.

As agremiações sociais são incentivadas, afinal pequenos grupos que se unem por vontade para defenderem seus interesses, algo muito diferente do sindicatos de hoje que dependem de acordos com o próprio Estado para sobreviverem.

Sem mais enrolações, um Libertário acredita que questões como a aborto, drogas e casamento homoafetivo está no âmbito das escolhas individuais não sendo dever do Estado legislar sobre esse tipo de matéria, mas sim, de garantir que os direitos individuais de todos os cidadãos sejam defendidos, logo o candidato a presidência deveria ser “a favor” dessas questões mesmo que seu pensamento individual não o fosse.

Para saber mais sobre o Pastor Everaldo confira em

Pastor Everaldo Pereira do PSC um liberal? Menos… menos…

* Partidos de massa são caracterizados por um grande poder central, são hierarquizados e os pensamento da cúpula do partido são a regra, quem vota contra, é expulso. Contam com um grande poder de militantes que vão a ruas e fazem a patrulha ideológica. Exemplos: PSTU, PCO e PSOL.

Partidos de quadro possui um fraco poder central e seus partidários decidem de acordo com seus votantes, não apresentam um forte líder único e, devido sua descentralização, não contam com militantes pois não há bem um ideal a ser protegido, embora em sua eleições possuam vultosas quantias monetárias de pouca empresas. Exemplo: PSDB, PV e PSB.
O PT é um partido de massa que flerta com o quadro, quanto menos o Lula interfere mais de quadro o PT se assemelha.

A saga de um brasileiro para ter seus documentos

Quando minha CNH venceu, nem fui atrás de renovar porque havia vendido meu carro, sendo assim, para que perder tempo em repartições públicas.

O mundo gira então tive que renovar e aí começou a saga que nem os escritores de Lost poderiam prever.

 

1056130_50646688

Fiz a agendamento no site do Poupatempo, nada muito intuitivo, mas com um pouco de café e perseverança consegui marcar para o dia seguinte.

Minha CNH é de Catanduva, sendo assim, antes da renovação era necessário passar para a cidade de São Paulo.

Fui na hora marcada, as 8 horas da madrugada, e peguei a fila da triagem, que confesso que havia apenas três pessoas na minha frente. Lá falei que era transferência e renovação, ela checou meus documentos, assim recebi uma senha que seria chamada no painel 2.

Após uns 15 minutos de espera fui chamado e prontamente atendido, pediram meu RG, CPF, CNH (todas essas informações estão na CNH, mas e daí…), comprovante de residência.

Ela abriu o protocolo até perceber que minha carteira era de Catanduva, resultado – voltar para a fila da triagem, a mesma que me enviou erradamente para a renovação antes da transferência.

De volta para a triagem fui atendido após uns 10 minutos, rápido até, a mulher esbravejou, perguntou-me quem havia me enviado errado e eu, que não sou X9, nem falei nada.

Ela pegou novamente meus documentos (terceira vez apresentando que eu, sou eu) e disse que meu RG estava muito velho e que não poderia aceitar aquele documento, apesar da CNH e CPF comprovar de que eu, era eu. Ah, estava com certificado de reservista, embora por um motivo misterioso ele não é aceito.

Mission Fail

Fui então fazer uma segunda via da minha carteira de identidade que agora conta com o número do PIS, comprovado por meio do cartão cidadão, logo tive que tirar o cartão cidadão, diga-se de passagem para tirá-lo precisa do RG e para este precisa do cartão cidadão, fiquei com medo de cair no limbo, mas houve salvação.
CNH – RG – Cartão Cidadão – RG…

Fui na Caixa Econômica e pedi o cartão cidadão, sendo que este aceitou a reservista como documento de identidade, 15 dias depois já estava com ele em mãos e fui atrás do RG.

Novamente agendamento no Poupatempo, dessa vez no da Luz, levei o documentos necessários, tirei minha foto, deixei minhas impressões digitais e paguei a taxa.
E novamente 15 dias depois já estava com ela em mãos.

CNH – RG – Cartão Cidadão (15 dias)- RG (15 dias), enfim um mês depois de querer renovar minha carteira de motorista pude efetivamente começar a desenrolar a situação.

Cheguei por volta das duas horas no Detran da Armênia e fui para a zona de triagem, lá a mulher checou meus documentos e liberou o pagamento da transferência e da renovação, rápido, 10 minutos ali. Estava lindo até ir pagar a taxa, fila enorme na única agência interna que recebe os pagamentos, depois de quase 30 minutos consegui pagar o boleto em meio a discussão de funcionários e clientes sobre se o ventilador deveria ficar ligado ou não, segundo uma das atendentes: Uma hora nóis sofre, outra hora são vocês (óbvio que eu estava na hora do “são vocês”).

Desci novamente para a triagem que viu o pagamento efetuado, junto com os documentos, e me deu uma senha para dirigir-me ao atendimento da transferência no painel 2.

Sentei uma garota que a vontade de trabalhar se assemelhava com uma tartaruga com preguiça, ela preencheu o formulário, confirmou novamente meus documentos e pronto, começou a burocracia agir.

Ela pediu para eu me dirigir ao computador, entrar no site do Detran e agendar a renovação via online, após isso dirigir-me à triagem para pegar uma nova senha.

Lá vou eu no computador do Detran agendar a minha renovação, que já havia feito com a transferência, pelo menos na minha cabeça. Havia uma hora livre às 17h30, peguei e fui lá na triagem. Era mais ou menos 16h15.

Na triagem ela me deu a senha e um papel que me levou novamente ao painel dois. Sentei do lado da primeira atendente, a minha nova colega emitiu um papel que me autorizava a ir fazer o exame médico em qualquer clínica credenciada, após checar meus documentos, de novo, mas antes disso, ela pediu para eu utilizar a mesma senha e dirigir-me ao painel 3.

Com uns 5 minutos de espera fui atendido pela típica funcionária de filmes de humor. Impassível de soltar um “bom dia” como se isso fosse o desafio do dia, essa atendente checou meus documentos ( a essa hora eu já estava duvidando de quem eu era), pegou minhas impressões digitais, tirou foto e me mandou ir fazer o exame médico.

Lá vou eu, às 17h, para fora do Detran em busca do exame médico que, obviamente achei na esquina.

Paguei a taxa, claro que em dinheiro porque cartão é algo proibido no que se diz a serviço público, fiquei uns 15 min em uma sala de espera até ouvir no corredor ao fundo alguém chamando meu santo nome.

Um médico que mal saia a voz, talvez efeito de anos de cigarro, falou algo comigo que apenas sorri, pois fiquei com receio de ser o enigma da esfinge. Foram mais ou menos 30 segundos de teste visual, digno de aprovar Mr. Magoo com louvor.

Com meu ótimo exame em mãos (superman ficaria com inveja das minhas habilidades descritas no papel), voltei ao Detran e entreguei o resultado no retorno – que fica na triagem – após checarem meus documentos e pronto, agora é só esperar três dias úteis para ser novamente habilitado.

CNH (duas horas fail) – RG – Cartão Cidadão (15 dias)- RG (15 dias)-(CNH 3h30 + três dias) = 33 dias cinco horas e 30 minutos para renovar um documento.

Uma nova saga se apresenta, por algum motivo divino eu encanei de tirar meu MTB, registro de jornalista no Ministério do Trabalho, e já começou bem: Liguei na central de Santana, do lado de casa, e ela mandou eu fazer meu SIRP antes de entrar com o pedido no Ministério.

Fui na minha ingenuidade e fiz o cadastro no SIRP (Sistema de Informações da República), detalhe ele tem validade de entrega ou ele prescreve, o meu deixará de ser válido no dia 04/10 e meu agendamento para pegar o MTB será no dia 14/10, na sede regional de São Paulo, porque em Santana não havia mais horário disponível nesse ano.

Uma visão chata do jornalismo

2012-04-05 13.12.02

O jornalismo nasce como uma profissão marginal. O trabalho de letrados, muitos escritores que tinham como única alternativa de trabalho escrever para jornais e revistas para sustentar seus vícios.

O jornalista era o “olhar dos de fora” dentro do mundo daqueles que faziam a roda girar. Um chato, um malandro no modo “zé pelintrisco” do termo, que incomodava com suas perguntas que tinham por trás até mesmo um “q” de recalque.

Hoje em dia é um profissão de elites, não que haja algo completamente errado com isso, contudo  muda completamente o viés da comunicação.

Ao entrar na Cásper tive como companheiros de estudo a classe média alta paulistana e a classe média do interior do estado o que tornou tudo muito homogêneo.

Pessoas iguais pensando de maneira parecida com apenas algumas arestas de diferença e isso reflete no jornalismo que vemos sendo feito hoje.

O filtro de notícias passa pelo olhar do profissional da comunicação, quem determina o que é fato relevante ou não é ele, com pessoas que possuem as mesmas referências culturais o filtro se torna “standart” e temos como consequência a chatice e mesmice como resultado nas grandes mídias.

A profissão perdeu se caráter de chata, para se tornar glamourosa e, como tudo que vende fama, tornou-se escrava da sua própria vontade de se vender assim.

Redações sem conflitos ideológicos, culturais e de experiências de vida perdem a vida, perdem o movimento e esvanece seu sentido de ser.

Soma-se a isso a impossibilidade do novo jornalista de pensar, afinal, sua bunda está quadrada na cadeira e a apuração mais profunda é a validação da Reuters porque se ele não subir o “furo” no portal rapidamente a página perderá os “views”.

Poucos profissionais na redação e que são obrigados a realizarem serviços de curadoria em setores que nem há um grande conhecimento , o culto ao “amador” incentivado pelas próprias entidades da imprensa, e a necessidade de não ficar para trás, ao invés de gerar conteúdo relevante.

Tudo isso tem seu lado bom, afinal, somente os loucos e cheios de “vícios” é que se sujeitarão a esse tipo de trabalho gerando novamente o conflito do saber dentro da profissão. De repente, o fundo do poço do jornalismo será a salvação.